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31.1.18

Cristianismo não é comunismo! – Por Douglas Faro

Estamos vivendo um embate político-ideológico de grandes proporções, e que por desconhecimento da grande massa da população, tem se agigantado ainda mais. Aos poucos, tem se instalado na sociedade brasileira e mais rápido, nas sociedades latinas de língua hispânica, os ideais do socialismo com viés comunista, em especial.
Politicamente,  esse embate ideológico é uma farsa, que insiste em dizer que o seu maior objetivo é o trazer igualdade social para os povos. Por detrás deste pensamento, existe um conceito filosófico sério, e desastroso, o marxismo, que é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e Friedrich Engels.
O pensamento marxista diz que, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por uma luta de classes, marcadas entre uma classe opressora e uma oprimida. No sistema capitalista, essas classes são representadas por burgueses, donos dos meios de produção, consequentemente donos de boa parte da riqueza gerada, e o proletariado, ou os pobres, que possuem apenas a sua mão de obra, a ser vendida como mercadoria ao proprietário do capital.
De acordo com a teoria marxista, os trabalhadores são uma mercadoria como qualquer outra, submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. Nas fábricas, no comércio, são tratados como servos (quase que escravos) da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica, que possui como único objetivo o lucro.
O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a abolição do trabalho. Para Marx e Engels, quando os trabalhadores entendessem a sua situação, fariam uma organização de luta, assumindo o poder, por meios políticos ou até mesmo, pela força e administrariam o sistema de forma “justa e igualitário”, abolindo as classes sociais chegando ao fim do Estado de direito democrático, ou seja, a implantação do sistema comunista.

Apesar deste conceito filosófico de igualdade, o comunismo marxista é materialista e fundamentado em acontecimentos da história, que são determinados pelo fator econômico; a ordem política, a cultural, a religiosa. Não há nada de justo ou de igualitário. Em geral, o socialismo em suas várias vertentes: anarquismo, fascismo, comunismo e etc, onde implantado, é marcado por uma classe política dominante, ditadora e intolerante, com grande poder econômico, que desfrutam de bens e propriedades, mas que levam milhões de pessoas a viver em miséria, e quando não concordam com o sistema, são presas ou exterminadas.

A relação comunismo e religião não podem se coadunar. A fé e o Cristianismo, para a ideologia marxista entendem que a fé em Deus Criador e em Jesus Cristo Salvador são vistas como inútil e alienante. Para Karl Marx, a religião é “o ópio (droga) do povo”, a  Igreja de Cristo de veria ser odiada, ele fala isso em sua obra literária, “O Capital”, de 1867. O pensamento marxista não é compatível ao pensamento cristão, nunca foi e nunca será. Repito, Marx disse que a religião é o "ópio" (droga) do povo, mas os seus seguidores não se importam em usa-la como massa de manobra para seus projetos. Cito Prof. Felipe Aquino :

"O Cristianismo não aceita a luta como meio ordinário de transformar a sociedade; ao contrário, ensina a reconciliação, o diálogo entre as partes, o acordo, o perdão, etc. Para o “práxis” marxista, “os fins justificam os meios”; pode-se lançar mão da violência, da corrupção, do roubo, da falsidade e da morte para se implantar o comunismo; tudo é válido…"

Se faz importante citar o filósofo marxista Antonio Gramsci e seu conceito de hegemonia cultural, que prega a destruição lenta e gradativa da cultura ocidental. Por meio da “modificação do sendo comum”, para que a mentalidade predominantemente marxista, fosse implantada. Para isso, ele acreditava que não era preciso uma grande estrutura que sustentasse o saber. O importante era ter apenas uma ideologia convincente, e um bom jogo de marketing, criando uma espécie de “formadores de opinião”, tidos como intelectuais que criam uma hegemonia cultural.

Retomando o contexto atual, e especificamente, olhando para o Brasil, estamos sendo carregados, como uma pessoa solta na multidão, empurrados à essa ideologia enganosa e sem escrúpulos. Estamos convivendo com uma doutrinação pelo marxismo fascista, que prega a luta armada e a tomada de propriedades (MST, por exemplo) e pelo marxismo cultural, que impõe um novo imaginário ideológico, onde se propõe uma hegemonia politica, moral e social, a qualquer custo.

Os meios de comunicação, a cultura e o sistema de ensino estão tomados por esse pensamento marxista, e em especial o marxismo cultural, que também, estão adentrando as esferas da religião. É preciso que se faça uma análise de como estão países em que esse sistema ideológico revolucionário foi imposto. A Venezuela de Maduro, mergulhada no caos e na miséria, a Cuba dos irmãos Castro, com uma terrível história de intolerância e morte, e a Bolívia de Morales, proibindo o direito ao culto. Sem falar de outros países.

Não está difícil de entender o que está acontecendo no Brasil. Os militantes de esquerda, fundamentados pela ideologia marxista estão implantando seu projeto de tomada do poder, e não é difícil ouvir na mídia, líderes políticos e de movimentos sociais, incitando a luta, a qualquer custo, pela tomada do poder. Como também já é comum que artistas, intelectuais, formadores de opinião, venham as mídias sociais e aos grandes meios de comunicação, impor a agenda do marxismo cultural. As escolas e universidades estão tomadas por estes ensinos,e movimentos ideológicos começam a aparecer nos meios religiosos, como as comunidades eclesiais de base (católicos) e missão integral (evangélicos).

O enfrentamento as instituições estabelecidas, dos poderes judiciário, legislativo e executivo, estão claros, tentando desacredita-los, como forma de enfraquecer o sistema democrático republicado, para fortalecer a necessidade da mudança, para o sistema ideológico socialista.

Diante disso, a Igreja de Cristo, precisa compreender como se portar. Não de renda a essa mentira. A Bíblia não apoia o marxismo, o socialismo e o comunismo. Marx é declaradamente, em tudo, anti-cristão. Embora os ensinos de Jesus se assemelhem aos ideais comunistas, em alguns momentos, não podemos de forma alguma ligar uma coisa a outra. Não há, como declara Frei Beto (ex padre católico, comunista e defensor do “comunismo cristão”), um comunismo primitivo. Não há como coadunar a ideologia marxista e suas inúmeras correntes sucessivas, que rejeitam a “crença no divino”, a “espiritualidade transcendente” ou seja, a religiosidade, com os ensinos de Cristo.

O fato de Jesus andar com pobres, combater certos religiosos dominantes da época, não determinam um caráter comunista, foi ele quem defendeu o respeito às autoridades, o pagamento de tributos (Marcos 12.17) e o respeito aos patrões.

Historicamente, como diz o historiador Charles Hainchelin,"As Origens da Religião" (1935) "o cristianismo não pode ser considerado revolucionário por não trabalhar por vias do proletariado, mas por um viés sócio-religioso". A comunidade proposta por Cristo era estritamente relacionada aos que resolveram crer em suas boas novas, embora esta recebesse a todos. Trata-se de uma comunidade unida por "fé".
Para os cristãos, o cristianismo não é uma corrente filosófica, que de compara a qualquer outra, e sim a sua crença que transcende o conhecimento humano, e sobre passa para o divino e para a espiritualidade. Trata-se de uma questão de fé.

É esta fé que está sendo ameaçada. Cuidado, o comunismo vem ai, e a exemplo de muitos lugares do mundo, corremos o risco, de sermos impedidos de professar a fé cristã, que hoje é garantida pela constituição federal, documento este que, pode ser alterado, numa possível tomada de poder por comunistas.

O cristianismo não pode ser uma espécie de comunismo, porque este está relacionado a sua fé, e as suas obras são frutos da sua fé. O comunismo age de “fora para dentro”, a fé cristã age “de dentro para fora”.


Douglas Tadeu Faro, teólogo pelo ISBL. Graduado em Arquivologia pela UEL e pós-graduado em sistemas e serviços pelo INESUL.

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