Cristianismo não é comunismo! – Por Douglas Faro
Estamos
vivendo um embate político-ideológico de grandes proporções, e que por
desconhecimento da grande massa da população, tem se agigantado ainda mais. Aos
poucos, tem se instalado na sociedade brasileira e mais rápido, nas sociedades
latinas de língua hispânica, os ideais do socialismo com viés comunista, em
especial.
Politicamente, esse embate ideológico é uma farsa, que
insiste em dizer que o seu maior objetivo é o trazer igualdade social para os
povos. Por detrás deste pensamento, existe um conceito filosófico sério, e
desastroso, o marxismo, que é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e
Friedrich Engels.
O pensamento
marxista diz que, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por
uma luta de classes, marcadas entre uma classe opressora e uma oprimida. No
sistema capitalista, essas classes são representadas por burgueses, donos dos
meios de produção, consequentemente donos de boa parte da riqueza gerada, e o proletariado,
ou os pobres, que possuem apenas a sua mão de obra, a ser vendida como
mercadoria ao proprietário do capital.
De acordo com a teoria marxista, os
trabalhadores são uma mercadoria como qualquer outra, submetidos à concorrência
e às oscilações do mercado. Nas fábricas, no comércio, são tratados
como servos (quase que escravos) da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica,
que possui como único objetivo o lucro.
O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade
privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a
abolição do trabalho. Para Marx e Engels, quando os trabalhadores entendessem a
sua situação, fariam uma organização de luta, assumindo o poder, por meios políticos
ou até mesmo, pela força e administrariam o sistema de forma “justa e igualitário”, abolindo as classes sociais chegando ao fim do Estado de direito
democrático, ou seja, a implantação
do sistema comunista.
Apesar deste conceito filosófico de igualdade, o comunismo
marxista é materialista e fundamentado em acontecimentos da história, que são
determinados pelo fator econômico; a ordem política, a cultural, a religiosa.
Não há nada de justo ou de igualitário. Em geral, o socialismo em suas várias
vertentes: anarquismo, fascismo, comunismo e etc, onde implantado, é marcado
por uma classe política dominante, ditadora e intolerante, com grande poder econômico, que desfrutam de bens e propriedades, mas que levam milhões de
pessoas a viver em miséria, e quando não concordam com o sistema, são presas ou
exterminadas.
A relação comunismo e religião não
podem se coadunar. A fé e o Cristianismo, para a ideologia marxista entendem que
a fé em Deus Criador e em Jesus Cristo Salvador são vistas como inútil e
alienante. Para Karl Marx, a religião é “o ópio (droga) do povo”, a Igreja de Cristo de veria ser odiada, ele fala
isso em sua obra literária, “O Capital”, de 1867. O pensamento
marxista não é compatível ao pensamento cristão, nunca foi e nunca será. Repito,
Marx disse que a religião é o "ópio" (droga) do povo, mas os seus
seguidores não se importam em usa-la como massa de manobra para seus projetos. Cito
Prof. Felipe Aquino :
"O Cristianismo não aceita a luta como meio
ordinário de transformar a sociedade; ao contrário, ensina a reconciliação, o
diálogo entre as partes, o acordo, o perdão, etc. Para o “práxis” marxista, “os
fins justificam os meios”; pode-se lançar mão da violência, da corrupção, do
roubo, da falsidade e da morte para se implantar o comunismo; tudo é válido…"
Se faz importante citar o filósofo
marxista Antonio Gramsci e seu conceito de hegemonia cultural, que prega a
destruição lenta e gradativa da cultura ocidental. Por meio da “modificação do
sendo comum”, para que a mentalidade predominantemente marxista, fosse
implantada. Para isso, ele acreditava que não era preciso uma grande estrutura
que sustentasse o saber. O importante era ter apenas uma ideologia convincente,
e um bom jogo de marketing, criando uma espécie de “formadores de opinião”,
tidos como intelectuais que criam uma hegemonia cultural.
Retomando o contexto atual, e especificamente, olhando
para o Brasil, estamos sendo carregados, como uma pessoa solta na multidão,
empurrados à essa ideologia enganosa e sem escrúpulos. Estamos convivendo com
uma doutrinação pelo marxismo fascista, que prega a luta armada e a tomada de propriedades (MST, por exemplo) e pelo marxismo cultural, que impõe um novo imaginário ideológico, onde se propõe uma hegemonia politica, moral e social, a
qualquer custo.
Os meios de comunicação, a cultura e o sistema de ensino
estão tomados por esse pensamento marxista, e em especial o marxismo cultural,
que também, estão adentrando as esferas da religião. É preciso que se faça uma
análise de como estão países em que esse sistema ideológico revolucionário foi imposto. A Venezuela
de Maduro, mergulhada no caos e na miséria, a Cuba dos irmãos Castro, com uma terrível
história de intolerância e morte, e a Bolívia de Morales, proibindo o direito
ao culto. Sem falar de outros países.
Não está difícil de entender o que está acontecendo no
Brasil. Os militantes de esquerda, fundamentados pela ideologia marxista estão implantando seu projeto de tomada do poder, e não é difícil ouvir
na mídia, líderes políticos e de movimentos sociais, incitando a luta, a
qualquer custo, pela tomada do poder. Como também já é comum que artistas, intelectuais, formadores de opinião, venham as mídias sociais e aos grandes meios de comunicação, impor a agenda do marxismo cultural. As escolas e universidades estão tomadas por estes ensinos,e movimentos ideológicos começam a aparecer nos meios religiosos, como as comunidades eclesiais de base (católicos) e missão integral (evangélicos).
O enfrentamento as instituições estabelecidas, dos
poderes judiciário, legislativo e executivo, estão claros, tentando desacredita-los,
como forma de enfraquecer o sistema democrático republicado, para fortalecer a necessidade
da mudança, para o sistema ideológico socialista.
Diante disso, a Igreja de Cristo, precisa compreender
como se portar. Não de renda a essa mentira. A Bíblia não apoia o marxismo, o socialismo
e o comunismo. Marx é declaradamente, em tudo, anti-cristão. Embora os ensinos de
Jesus se assemelhem aos ideais comunistas, em alguns momentos, não podemos de
forma alguma ligar uma coisa a outra. Não há, como declara Frei Beto (ex padre
católico, comunista e defensor do “comunismo cristão”), um comunismo primitivo.
Não há como coadunar a ideologia marxista e suas inúmeras correntes sucessivas,
que rejeitam a “crença no divino”, a “espiritualidade transcendente” ou seja, a
religiosidade, com os ensinos de Cristo.
O fato de Jesus andar com pobres, combater certos
religiosos dominantes da época, não determinam um caráter comunista, foi ele
quem defendeu o respeito às autoridades, o pagamento de tributos (Marcos 12.17)
e o respeito aos patrões.
Historicamente, como diz o historiador Charles Hainchelin,"As Origens da Religião" (1935) "o cristianismo não pode ser considerado revolucionário por não trabalhar
por vias do proletariado, mas por um viés sócio-religioso". A comunidade proposta
por Cristo era estritamente relacionada aos que resolveram crer em suas boas
novas, embora esta recebesse a todos. Trata-se de uma comunidade unida por "fé".
Para os cristãos, o cristianismo não é uma corrente filosófica,
que de compara a qualquer outra, e sim a sua crença que transcende o conhecimento
humano, e sobre passa para o divino e para a espiritualidade. Trata-se de uma
questão de fé.
É esta fé que está sendo ameaçada. Cuidado, o comunismo
vem ai, e a exemplo de muitos lugares do mundo, corremos o risco, de sermos
impedidos de professar a fé cristã, que hoje é garantida pela constituição
federal, documento este que, pode ser alterado, numa possível tomada de poder
por comunistas.
O cristianismo não pode ser uma espécie de comunismo,
porque este está relacionado a sua fé, e as suas obras são frutos da sua fé. O
comunismo age de “fora para dentro”, a fé cristã age “de dentro para fora”.
Douglas Tadeu Faro, teólogo pelo ISBL. Graduado em
Arquivologia pela UEL e pós-graduado em sistemas e serviços pelo INESUL.
Marcadores: Comunismo e Fé, Cristianismo e Socialismo, Douglas Faro, Evangelho, Fé, Marxismo Cultural



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